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28-07-2010


Saúde - Pílula

A pílula protege contra tumores de intestino, ovário e endométrio.



Estudo feito durante 39 anos com 46 mil voluntárias mostra que as mulheres adeptas do anticoncepcional oral têm menos chances de morrer que as não usuárias. Método completou meia década.
Revolução no comportamento sexual das mulheres e no planejamento familiar - Vantagens para a saúde. Estudo realizado pela Universidade de Aberdeen, na Escócia, revelou que as usuárias do anticoncepcional oral têm menos chances de morrer por qualquer causa, incluindo todos os tipos de câncer e as doenças cardíacas, em comparação com aquelas mulheres que jamais aderiram à droga. Os resultados da pesquisa foram publicados pela revista científica British Medical Journal. "Além de ser um contraceptivo altamente eficiente, a pílula protege contra tumores de intestino, ovário e endométrio", explicou ao Correio Braziliense / Diario, por e-mail, Philip Hannaford, diretor da Divisão de Ciências Aplicadas da Saúde da Universidade de Aberdeen e principal autor do estudo. "Esses benefícios parecem durar muitos anos, mesmo após a interrupção do uso", acrescentou.

Hannaford e seus colegas estudaram 46 mil mulheres que se dispuseram a participar voluntariamente da pesquisa em 1968, quando o Colégio Real de Clínicos Gerais (RCGP, pela sigla em inglês) começou o Estudo de contraceptivo oral RCGP, uma das maiores investigações médicas sobre os efeitos desses medicamentos à saúde. "Nós as seguimos por 39 anos. Isso significa 1,2 milhão de anos-mulheres (uma medida para calcular os efeitos da droga). Observamos um grupo de usuárias frequentes e o comparamos com as mulheres que jamais haviam utilizado a pílula. Percebemos uma redução do perigo de mortes no primeiro grupo", afirmou o cientista.

De acordo com ele, a taxa de risco comparado entre as duas amostras era de 0,88. "Trata-se de uma redução de 12%, algo estatisticamente importante no risco relativo", garantiu. O especialista adverte que a conclusão não indica necessariamente que a pílula tenha sido a responsável direta pelo benefício. Isso porque ele encontrou importantes diferenças nas características ou nos estilos de vida de adeptas da pílula, em comparação às não usuárias. "Por exemplo, as usuárias fazem checapesmédicos com maior frequência", comentou Hannaford. "Em termos gerais, se as mulheres escolherem usar o contraceptivo oral, não causarão danos a si mesmas a longo prazo."

Desmentidos - Apesar de reconhecer os mitos de que a pílula seria nociva se usada por períodos prolongados e que o uso deveria ser interrompido após poucos anos, Hannaford não encontrou um padrão consistente de risco aumentado. "Durante a utilização da pílula, as mulheres têm um pequeno aumento no risco de coágulos sanguíneos, doença cardíaca, derrame, câncer de colo do útero e de mama. Esses efeitos permanecem enquanto a pílula é usada, mas desaparecem cerca de 10 anos depois. As usuárias de pílulas podem reduzir riscos ao deixarem de fumar, ao se manterem com peso normal, ao monitorarem a pressão arterial, ao se exercitarem e ao terem uma dieta saudável, além de se submeterem a exames ginecológicos", recomendou o escocês.

Durante o estudo, os cientistas constataram uma redução de 52 mortes para cada 100 mil anos-mulheres. Naquelas voluntárias com mais de 50 anos, os benefícios superaram os riscos modestos - se entre 100 mil adeptas da pílula - com faixa etária entre 40 e 49 anos - houve 14 menos mortes, entre aquelas entre 50 e 59 anos apresentaram 86 menos mortes. A redução de risco aumenta com a idade: mulheres entre 60 e 69 anos tinham 122 menos mortes por amostra de 100 mil; entre aquelas com mais de 70 anos, o índice era de 308 menos óbitos.

Os resultados do estudo se aplicam diretamente à primeira geração de contraceptivos orais. Como as pílulas mudaram no decorrer dos anos, os métodos de avaliação de riscos também são diferentes. Segundo Hannaford, muitas mulheres, especialmente aquelas que usavam a primeira geração de pílulas, provavelmente vão se manter tranquilizadas com as conclusões da pesquisa. Apesar de reconhecer a alteração na forma de fabricação dos novos contraceptivos, ele acredita que os efeitos serão semelhantes.

Na conclusão do artigo publicado pelo British Medical Journal, os cientistas escreveram: "A contracepção oral não foi associada ao aumento de risco a longo prazo de morte; ao contrário, um benefício em rede foi aparente". Ainda de acordo com o texto, "o balanço de riscos e benefícios, no entanto, pode variar em âmbito global, dependendo dos padrões do uso de contracepção oral e do risco de doenças".
Link: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/07/27/brasil5_0.asp

27/07/2010 -Diário de Pernambuco
Jornalista: Rodrigo Craveiro



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