27-07-2010
Medicamentos de marca com maior queda em seis anos
As vendas dos medicamentos de marca caíram 2,5% entre Janeiro e Maio - a maior queda dos últimos seis anos, pelo menos. Em sentido contrário está a venda de genéricos, que estão a conquistar espaço no mercado, em grande parte devido à crise, avança o Diário de Notícias.
Nas farmácias, e só nos primeiros cinco meses deste ano, foram vendidos menos cinco milhões de embalagens do que no mesmo período de 2009.
De acordo com dados da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), desde 2004 (data dos últimos dados disponíveis) que não havia uma descida tão grande. Aliás, nesse ano, as vendas subiram 6,4%. Já em 2005 e 2006, o consumo de medicamentos de marca desceu 1,2 e de 1,1 %, respectivamente - mesmo assim uma quebra menos acentuada do que a deste ano. E em 2007, 2008 e 2009 as vendas até voltaram a crescer.
No entanto, desde o início do ano que se nota que os utentes estão a comprar menos medicamentos de marca.
Pelo contrário, a venda de genéricos - medicamentos pelo menos 20% mais baratos - resultou em ganhos de cerca de 263 milhões de euros, o que representa uma taxa de crescimento de 16,6%. Segundo o Infarmed, a quota de mercado dos genéricos nos primeiros cinco meses do ano é de 19,29%, o que se traduz em mais de 17 milhões de embalagens vendidas. No ano passado, a quota de mercado era de 17,79%. E isto à custa dos medicamentos de marca, escreve o DN.
O crescimento preocupa a Indústria Farmacêutica, que está a bloquear a entrada de genéricos de sete dos dez medicamentos de marca mais vendidos em Portugal, alegando que as patentes dos produtos ainda estão em vigor.
A crise é a principal responsável por este aumento, acredita Manuel Villas Boas, do Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde: "Numa altura de crise, como esta, para a maioria dos utentes é uma ajuda terem medicamentos mais baratos. Às
vezes implica pode-rem levar todos para casa em vez de deixarem alguns na farmácia quando chega a altura de pagar a conta", diz ao DN.
"Naturalmente que a crise económica tem um peso grande", concorda Paulo Lilaia, da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos (Apogen). Mas o aumento das vendas "é uma tendência normal e desejável, já que em Portugal a quota de mercado dos genéricos ainda é muito inferior à média da União Europeia, que ultrapassou os 50%", diz ao DN.
Para o responsável da Apogen, quer doentes quer farmacêuticos, e sobretudo os médicos, estão mais sensibilizados para escolher tratamentos que sejam acessíveis, para que os utentes possam fazê-los e levá-los até ao fim.
Este aumento nas vendas tem sido também incentivado pelo Ministério da Saúde, de forma a poupar dinheiro na comparticipação de medicamentos. Assim, a tutela tomou várias medidas ao longo dos últimos anos para estimular o consumo dos genéricos, iguais aos de marca, mas mais baratos.
Já a partir do próximo dia 1 de Agosto entram em vigor os novos preços dos genéricos, com novas descidas. Mas foram muitos os laboratórios que anteciparam a medida com a diminuição voluntária do custo de 329 apresentações. Em alguns casos, a diferença era de menos 74%.
Link: http://www.rcmpharma.com/news/9301/51/Medicamentos-de-marca-com-maior-queda-em-seis-anos.html